Não é difícil imaginar como o caso terminará para Josef Fritzl, apesar de seu advogado, Rudolf Mayer, esperar que o país em breve o verá como uma pessoa e não apenas como um monstro. Agora a polícia também está examinando uma possível ligação com o corpo de uma garota encontrada no Lago Mondsee, em 1986, não longe da hospedaria de Fritzl.
Mas o que ninguém pode prever é como a vida prosseguirá para Elisabeth Fritzl e seus filhos das sombras. O inspetor chefe Leopold Etz estava encarregado do esforço orquestrado para retirar Stefan e Felix da casa em Ybbsstrasse e levá-los para o hospital público. Ele diz que eles mal falam, exceto quando o pequeno Felix disse que era maravilhoso. O que era maravilhoso, o policial perguntou ao menino? Tudo, respondeu Felix.
E Elisabeth Fritzl, que deve ter sido estuprada milhares de vezes, e que suportou mais do que quaisquer um dos outros? Por 8.516 dias de sua vida, dia e noite foram substituídos pelo acender e apagar de uma luz artificial. Um dia era indistinguível do outro, e a passagem do tempo era reconhecível apenas pela natureza transitória da vida: seus filhos ficando mais velhos e seu próprio cabelo se tornando grisalho até, no dia de sua libertação, estar completamente branco.
É um milagre o fato de Elisabeth Fritzl não ter enlouquecido durante os 8.516 dias. "Eu raramente vejo uma mulher tão forte. Eu não me surpreenderia se ela tivesse poderes sobre-humanos", disse o diretor de medicina intensiva do hospital público de Amstetten, Albert Reiter, para o tablóide "Bild" na semana passada.
Os psicólogos estão familiarizados com o fenômeno do "inquebrável", de pessoas que são expostas a horrores impensáveis e, milagrosamente, saem aparentemente ilesas. São pessoas cujas vidas não são destruídas por uma desordem de estresse pós-traumático, que têm capacidade de se separarem dos horrores que sofreram, como se fossem espectadoras de seu próprio sofrimento.
Talvez Elisabeth Fritzl será forte o suficiente para salvar sua própria família, reunindo as duas metades que seu pai separou em dois mundos, e até mesmo lidar com a suspeita de que sua mãe, Rosemarie, ou talvez alguém de sua família pudesse saber de algo. Quem, a não ser Elisabeth, poderia sair deste abismo?
Testemunhas dizem que a primeira reunião da família sem Josef Fritzl, na clínica psiquiátrica em Amstetten, foi surpreendentemente alegre. Era um início -um dos muitos encontros que serão necessários após tanto tempo.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
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